Mal estar social: resistir é possível.

A luta por mantermos alguma saúde mental nos tempos contemporâneos não tem sido fácil. Na última segunda-feira (12), o Coletivo Contrarregra, do curso de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ convidou a mim e a outros profissionais para pensarmos com eles a questão da saúde mental na contemporaneidade.



O tema não foi escolhido ao acaso. Cresce o número de jovens com sintomas do mal estar contemporâneo. Com tantos acontecimentos políticos e sociais com que deparamos nos últimos meses em nossa sociedade, a saúde, e em especial a saúde mental, parece estar em risco, e esses jovens, estudantes de um dos principais cursos de direito do país, não poderiam estar fora dessa discussão.


Em uma ação de resistência esse coletivo se propôs a pensar. Sabemos da importância do ambiente para a saúde mental. Não por acaso, esse tema se torna relevante para a discussão nessa que é a quinta maior universidade do país, a maior do estado do Rio de Janeiro, e se encontra sucateada por uma crise financeira promovida pela má administração pública estadual dos últimos anos.


Pensar saúde mental necessariamente envolve pensar as condições de vida contemporânea. Pânico e depressão tem se tornado queixas corriqueiras em diferentes espaços sociais, sem falarmos das toxicomanias, e suas múltiplas variações, nem sempre percebidas e/ou tratadas com a devida atenção, continuamente circulando despercebidas as consequências nefastas a que podem submeter uma pessoa essas conjunturas.


A banalização dessas condições parece apontar para a naturalização do sofrimento psíquico, muitas vezes calado por uma sociedade que não tem mais tempo e nem espaço para ouvir a dor do outro.


Nessa cultura narcísica, onde a passividade parece declarar um sentimento de culpa por não se ser capaz de alcançar os ideais impostos pela cultura do bem estar, os jovens, ainda que sem compreender muito bem o que lhes ocorre, nos pedem socorro. São eles que nos denunciam a falta de esperança atual. Alarmam-nos com seus suicídios. Sem vida, pedem vida. Pedem que façamos algo, algo que ninguém parece saber o que.


Foi com esse intuito de ouvir e pensar em conjunto que me dispus a estar com eles. Sem respostas prontas, talvez esperadas, esse encontro despertou inúmeras questões. Espero ter podido despertar algo que os façam pensar, criar, estabelecer laços com a vida. A vida que temos agora, com os desafios de agora. Quem sabe, uma esperança de não precisarem estar a sós, desamparados.

Uma consciência de que juntos, talvez, possamos nos fortalecer.

Mudar sempre dependerá de coragem, força, criatividade. E essa criatividade, sinônimo de vida, de resistência, só se conquista a partir de nossas relações, a partir de uma existência coletiva, de uma capacidade de conexão com o diferente. Parece que isso, em algum lugar, esse coletivo já compreendeu.


Como citar esse artigo:

MENDES, Marisa F.. Mal estar social: resistir é possível. Rio de Janeiro, 19 jun 2017. Disponível em: https://www.marisa-mendes.com/single-post/mal-estar-social-resistir-e-possivel Acesso em (...).


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Marisa Mendes | Psicologia 

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