O Social em Nós


Somos seres sociais. Essa é uma afirmativa muito conhecida. Mas, você já parou para pensar no que significa ser um ser social?


Por definição, social é tudo aquilo que pressupõe relações com outras pessoas: relacionamentos, sentimentos, modos de ser, de agir e de estar no mundo. Um bom desenvolvimento social reflete em nossa qualidade de vida.


Nascemos indivíduos sociais e nos tornamos sujeitos sociais.


Vou explicar. Nascemos sobre a influência de dois grandes fatores, os biológicos e os sociais. Biológico, pois não há como negar nosso corpo objetivo e tudo aquilo que trazemos em nossa genética. Sociais, pois o lugar, a família e o tempo histórico a que pertencemos, ou seja, nossa cultura influencia, inclusive, nosso corpo biológico.


O francês, Henri Wallon (1879 – 1962), aponta nossa condição de ser social ao estudar o desenvolvimento infantil. Para ele, é por meio das relações que vamos estabelecendo com as pessoas, com os objetos e com o espaço que, aos poucos, vamos nos diferenciando do outro, e nos constituindo como sujeito e construindo nossa identidade. Para ele é indiscutível a importância dos outros na evolução psíquica. É fácil demonstrar. Pense no momento do nascimento de uma criança. Nascemos totalmente dependentes do outro. Sem alguém para nos alimentar, aquecer, limpar, não sobrevivemos.


Todos nós, enquanto seres potenciais, temos possibilidades e necessidades. O atendimento de nossas necessidades amenta as nossas possibilidades. É na interação com esse outro, com o social, que nos tornamos sujeitos. Entendendo como sujeito aquele que tem um modo seu, diferenciado, de estar no mundo. Logo, de interagir com outros sujeitos, formando, assim, uma rede de interações. Está formado nosso meio social. A partir daí inúmeras complexidades se dão.


Cada um de nós produz uma síntese desse conjunto de características e experiências pessoais; nascemos diferentes, em meios diferentes, com coisas diferentes, fizemos interações diferentes, criando para si necessidades diferentes e modos de buscas diferentes.


Em nossas relações sociais, em nossos grupos, vivemos um permanente movimento de estruturação, desestruturação e reestruturação e isso é bom, embora possa ser doloroso.


Nem sempre encontramos outros sujeitos iguais a nós, com as mesmas ideias e opiniões, e é exatamente isso que nos mantém crescendo, desenvolvendo. A contradição, do ponto de vista dialético, é o princípio básico do movimento que nos mantém existindo.


Aqui, o todo – o grupo, é maior que a soma de suas partes – indivíduos, e a visão dada por um conjunto, pela síntese que fazemos de um determinado momento, aquilo que nos demonstra e nos transforma, ao propor ao outro, ou aos outros, novas contradições e questionamentos.


É uma rede e uma espiral. Forças que nos aproximam e nos separam, em um

constante devir. Só assim, nos mantemos humanos.


Como citar esse artigo: Mendes, Marisa F. O social em nós. Rio de Janeiro, 28 abr 2017. Disponível em: https://www.marisa-mendes.com/single-post/o-social-em-nos. Acesso em (...).

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Marisa Mendes | Psicologia 

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